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World Gastroenterology Organisation Global Guidelines

Diagnóstico, tratamento e prevenção da hepatite C

 

Abril de 2013

 

Equipe de Revisão

Muhammad Umar (Presidente, Paquistão)

Aamir Ghafoor Khan (Co-Presidente, Paquistão)

Zaigham Abbas (Paquistão)
Sanjeev Arora (Estados Unidos)
Asif Abbas Naqvi (Reino Unido)
Andre Elewaut (Bélgica)
Gamal Esmat (Egito)
Graham Foster (Reino Unido)
Michael Fried (Suíça)
Khean-L Goh (Malásia)
Hamama Tul Bushra (Paquistão)
Michio Imawari (Japão)
Vasily Isakov (Rússia)
Justus Krabshuis (França)
Douglas LaBrecque (Estados Unidos)
Anton LeMair (Holanda)
Peter Malfertheiner (Alemanha)
Steve Ryder (Reino Unido)
Peter Schiedermaier (Alemanha)
Davor Stimac (Croácia)
Rakesh Tandon (Índia)
Federico Villamil (Argentina)
Rodrigo Zapata (Chile)

Assessor Especial

Peter Ferenci (Áustria)


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(Clique para expandir secção)

1.  Perspectiva mundial da WGO — diretrizes sensíveis aos recursos e “cascatas”

Esta diretriz está dirigida a todos os profissionais da atenção primária e secundária à saúde envolvidos no cuidado de indivíduos infectados pela hepatite C em vários países do mundo. Todas as fases da forma de tratamento da doença estão cobertas: triagem, análise, diagnóstico, encaminhamento, tratamento, cuidados e seguimento de crianças e adultos infectados pelo vírus da hepatite C (VHC) ou expostos à doença.

Numerosas diretrizes resumindo as práticas “padrão ouro” são elaboradas anualmente por prestigiosas instituições médicas, e são destinadas a médicos de países ricos. As principais diretrizes internacionais para a hepatite C são:

Assim sendo, elas são inacessíveis e irrelevantes para muitos clínicos nos países em desenvolvimento. Qualquer diretriz ocidental que não reconheça isso pode estar evitando a difusão do conhecimento e da evidência a um público mundial. A WGO desenvolveu o conceito de "cascatas" para fazer as diretrizes mais aplicáveis nos ambientes com recursos muito diferentes, oferecendo uma série de opções de diagnóstico e tratamento, organizadas hierarquicamente em termos de condições e recursos disponíveis. [1].

As diretrizes da WGO incluem alternativas para os clínicos com fundos limitados. Estas alternativas normalmente são sugeridas na base dos custos, mais também podem levar em conta a disponibilidade, tecnologia e infraestrutura locais. As cascatas podem variar de uma lista simples de opções a vias paralelas de diagnóstico e tratamento mais complexas, e ser transformadas de “cegas aos recursos” para “sensíveis aos recursos”. Inevitavelmente, as cascatas são fortemente baseadas na evidência empírica, e não nas opções consideradas “padrão ouro”. Os fundos para pesquisas são utilizados geralmente para tentar reforçar as “melhores práticas” em vez dos aspectos práticos da atenção nos países em desenvolvimento. No entanto, com a forte participação de clínicos experientes nos países em desenvolvimento, geralmente se chega a um consenso. O uso mais difundido de cascatas nas diretrizes também pode motivar a pesquisa das melhores opções para os serviços com recursos limitados.

2.  Epidemiologia—comparação global e fatores relacionados aos recursos

Quando a epidemiologia da infecção pelo VHC está sendo analisada globalmente, é indispensável considerar as diferenças entre “noroeste” e “sudeste”. Por exemplo, a baixa prevalência de infecção pelo VHC no “norte” e “oeste” [2,3] e a prevalência entre moderada e alta [4–6] no “sul” e “leste”, conducente a um elevado encargo financeiro e grande necessidade de recursos em saúde em países com recursos já limitados. As injeções terapêuticas não seguras (por aplicação incorreta das diretrizes universais de controle das infecções, inclusive esterilização de equipamentos) são o principal fator de risco para o VHC no “leste”. Isso afeta as estratégias de tratamento nos países em desenvolvimento e destaca a necessidade de estratégias de prevenção, conscientização pública, educação em saúde e sensibilização do pessoal da saúde, e autoridades do governo envolvidas.

Outro fator é a disponibilidade e qualidade dos testes para diagnóstico da infecção pelo VHC que fazem a triagem muito difícil, inclusive nas populações de alto risco, conduzindo a coletas de dados e relatórios inexatos. Da mesma forma, a padronização e metodologia da reação em cadeia de polimerase (PCR) tornam a opção de “quem tratar” ainda mais difícil.

A história natural do VHC também é diferente entre “oriente” e “ocidente” devido a fatores de risco específicos, como o uso do álcool, as dependências, o uso de medicação/drogas intravenosas, coinfecções e super-infecções. Outras comorbidades e deficiências nutricionais afetam também a histologia do fígado e a progressão da doença.

Os dados para os não respondedores e recidivantes também são diferentes, desde que a monoterapia convencional com interferon (IFN) e a terapia de combinação com ribavirina (RBV) ainda são muito utilizadas na maioria dos países em desenvolvimento — em comparação com o mundo desenvolvido onde o padrão de cuidados agora é o peginterferon (PEG-IFN) com RBV (PEG-IFN/RBV).

 

Tabela 1 Comparação entre países de “recursos limitados” e países de “altos recursos”


AAD, Antiviral de ação direta; VHC, vírus da hepatite C; VIH, vírus de imunodeficiência humana; IFN, interferon; IV, intravenoso; PEG-IFN, polietilenoglicol–interferon (peginterferon); RBV, ribavirina.

 

A hepatite C é uma doença hepática contagiosa provocada pelo vírus da hepatite C (VHC). O vírus é endêmico em nível mundial e, atualmente, estima-se a existência de 175 milhões de pessoas infectadas [7]. O número de pessoas com anticorpos anti-VHC no mundo tem aumentado de um valor aproximado de 122 milhões em 1990 para cerca de 184 milhões em 2005 [8]. A OMS estimou que quase 3% da população mundial tem VHC e que, somente na Europa, há cerca de 4 milhões de portadores. A presença do anticorpo Anti-VHC significa infecção prévia ou presente, e não diferencia as infecções agudas das crônicas.

Fatores como o uso de drogas intravenosas, tatuagens, e procedimentos médicos, tais como diálise e transfusão sanguínea, antes da era da pesquisa do VHC, têm contribuído para a ampla disseminação do VHC. Ele se tornou um significante problema de saúde mundial [9]. A distribuição da infecção pelo VHC mostra uma variação geográfica considerável com maior prevalência nos países do Leste asiático, da América Latina, do Mediterrâneo e certas áreas da África e da Europa do Leste.

A hepatite C é um desafio mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3–4 milhões de pessoas por ano são infetadas pelo VHC, e 130–170 milhões de pessoas possuem infecção crônica. Estima-se que todo ano mais de 350.000 pessoas morrem devido a doenças hepáticas relacionadas à hepatite C [10]. Os dados sobre a prevalência mundial estão baseados, principalmente, nos estudos da soroprevalência do VHC [11]. No entanto, os dados da OMS estão baseados em publicações e dados remitidos pelos diferentes países e regiões. Embora o VHC seja endêmico no mundo, há uma grande variabilidade geográfica quanto sua distribuição no mundo. [10,11].

As taxas de prevalência são maiores nos países em desenvolvimento pobres da África e da Ásia, enquanto as nações industrializadas e desenvolvidas da Europa e da América do Norte têm taxas de prevalência baixas. Os países com altas taxas de infecção crônica são Egito, Paquistão e China. Infelizmente, não existe boa informação dos países africanos, exceto do Egito, Marrocos e África do Sul. Considera-se que as injeções com objetos contaminados constituem a principal via de transmissão nesses países —como no caso do Egito, onde a epidemia do VHC tem sido atribuída fundamentalmente à duração prolongada do tratamento parenteral da esquistossomose (tartarato de potássio antimônio, tártaros eméticos) com a reutilização de seringas de vidro não descartáveis por mais de 30 anos.

A hepatite C crônica é considerada a maior causa de cirrose e a indicação principal para transplante hepático na Europa, América do Norte e do Sul, Austrália, Japão e Egito. O risco de desenvolver cirrose varia de 5% a 25% ao longo de períodos de 25–30 anos [12].

 

Tabela 2 Prevalência da infecção pelo VHC e base da evidência em 21 regiões.


Fonte: Mohd Hanafiah e col. (2012) [8]. GBD, Carga Mundial de Doenças (estudo).

 

Tabela 3 Taxas de prevalência da hepatite C em países desenvolvidos e em desenvolvimento

 

O VHC é transmitido principalmente por exposição percutânea: injeção de drogas, lesões por picada de agulha, e controle sanitário de infecções inadequado; as infecções nosocomiais continuam ocorrendo em todo o mundo. A transmissão do VHC ocorre menos frequentemente entre homens VIH positivos (vírus da imunodeficiência humana) que têm sexo com homens (HSH) como resultado de contato sexual com parceiro infectado pelo VIH [13], e entre crianças nascidas de mães infectadas pelo VHC. Estima-se que, em nível mundial, o uso excessivo e as práticas inseguras de injeções provocam de 2 a 5 milhões de infecções pelo VHC. [12,14–21].

O risco de transmissão do VHC na relação monógama sexual é muito baixo (0.01% ou menor).

 

Fig. 1 Distribuição mundial dos genótipos do VHC.


Fonte: WHO Hepatitis C Fact Sheet nº 164 (Julho de 2012): http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs164/en/index.html. Fonte da imagem: http://www.gregoryledet.com/?p=60.

 

Fig. 2 Fontes de infecção pelo VHC nos Estados Unidos


N.B.: “Uso de drogas injetáveis” é responsável por 60% dos casos nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, 60% das fontes de infecção pelo VHC são injeções não seguras.
Fonte: Viral Hepatitis Surveillance, USA 2009/2011. Division of Viral Hepatitis and National Center for HIV/AIDS, Viral Hepatitis, STD, and TB Prevention. http://www.cdc.gov/hepatitis/Statistics/2009Surveillance/Commentary.htm

3.  História natural e prevenção

3.1 História natural

A severidade da infecção pode variar, de doença moderada, durando algumas semanas, a doença grave (infecção aguda), ou para toda a vida (infecção crônica). Aproximadamente 80% dos pacientes infectados pelo VHC desenvolvem infecção crônica, e a maioria desses pacientes vão apresentar evidência de hepatite crônica. O período de incubação é de 14–180 dias (média 45 dias), e ainda não existe vacina contra a hepatite C.

Preditores de cronicidade na infecção pelo VHC [22]:

  • Sexo masculino
  • Idade > 25 anos no momento da infecção
  • Infecção aguda assintomática
  • Etnia afro-americana
  • Infecção pelo VIH
  • Imunossupressão

Habitualmente a infecção pela hepatite C progride lentamente por um período de muitos anos, e 5% - 15% dos pacientes com hepatite crônica podem desenvolver cirrose hepática em um período de 20 anos [23]. Vários estudos, porém, têm sugerido uma evolução mais benigna da doença [24] e indicam que a fibrose é um processo altamente imprevisível [25]. Uma publicação recente [26] informou que a eliminação espontânea do vírus ocorre em cerca de 50% dos novos infectados pelo VHC [27].

Aproximadamente 4–9% dos pacientes com cirrose apresentará una insuficiência hepática progressiva, com um risco anual de 1–4% de desenvolver carcinoma hepatocelular (CHC) primário [28]. A taxa de mortalidade por insuficiência hepática progressiva ou CHC continuará aumentando nas próximas décadas. Em alguns países, a infecção pelo VHC é a principal causa de morte por doença hepática e a indicação mais comum de transplante hepático [29].

Aproximadamente 70–80% dos pacientes com hepatite C são assintomáticos; nas hepatites agudas, ou crônico-agudizadas, os sintomas de todos os tipos de hepatites virais são semelhantes e podem variar entres os seguintes: fadiga, dor abdominal, falta de apetite, icterícia.

3.2 Prevenção

Conselhos para pessoas infectadas sobre como evitar a transmissão do VHC:

  • A pessoa infectada deve cobrir as feridas ou cortes e aplicar desinfetantes imediatamente para não contaminar.
  • Uma pessoa infectada não deve doar sangue ou órgãos.
  • Os usuários de drogas injetáveis devem ser assessorados sobre o risco de transmissão do VHC e aplicar as injeções com segurança se quiserem continuar consumindo.
  • Os vômitos e outras secreções corporais do paciente infectado pelo VHC devem ser eliminados com desinfetante—por exemplo, pó branqueador e solução de glutaraldeído.
  • O risco de transmissão sexual do VHC é baixo. Não é recomendado que os casais sexuais utilizem métodos de barreira como estratégia de redução de riscos.
  • A possibilidade de transmissão do VHC através do leite materno é baixa, portanto, a amamentação não deve ser interrompida.
  • Os contatos domésticos e o contato físico não são reconhecidos como fatores de risco para a transmissão do VHC. Em consequência, uma pessoa infectada com VHC não deve ser impedida de ter uma vida normal.

Prevenção na comunidade e nos serviços de saúde:

  • Todos os doadores de sangue devem ser estudados para descartar anticorpos da hepatite C e/ou ARN do VHC.
  • A adesão às precauções universais de controle de infecções é essencial nos serviços de saúde. Isso deve incluir o uso de materiais descartáveis ou devidamente esterilizados na realização de procedimentos invasivos, e uma limpeza e esterilização adequadas dos instrumentos.
  • É importante educar os tatuadores, barbeiros, podólogos/manicures, e profissionais de terapias tradicionais ou alternativas, sobre as formas de reduzir o risco de contaminação com sangue. Isso implica as técnicas de esterilização para procedimentos que envolvem penetração cutânea ou fendas na superfície mucosa.
  • Face à tendência crescente de transmissão do VHC pelo consumo de drogas injetáveis, é importante implementar uma campanha de educação sobre os danos causados pelo consumo de drogas, especialmente entre crianças em idade escolar. Também devem ser implementados programas de redução de dano, tais como programas de fornecimento de agulhas e seringas.
  • Toda pessoa que tenha sido submetida a tratamento cirúrgico ou odontológico está sob maior risco de ter contraído VHC, e deve ser oferecido o teste.
  • Os indivíduos com antecedentes de transfusão sanguínea têm maior risco de infecção pelo VHC, e deve ser oferecido o teste.
  • Os pacientes com hepatite C crônica deveriam ser vacinados contra a hepatite B após triagem.
  • A aplicação de injeções por profissionais da saúde ou de medicinas alternativas deve ser desencorajado; se necessário, só devem ser usadas seringas descartáveis.
  • Um protocolo apropriado para as lesões por picada de agulha deveria ser elaborado e seguido em todos os hospitais, (públicos e privados), além de recomendado pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Todas as lesões cutâneas nas mãos dos trabalhadores da saúde devem ser cobertas com curativos impermeáveis, e se possível, dupla luva com indicador de sangue na luva.
  • Os trabalhadores da saúde devem ser vacinados contra o VHB.

4. Diagnóstico e triagem

A infecção pelo VHC é diagnosticada pela presença de anticorpos específicos utilizando o imunoensaio ligado a enzima (ELISA). A presença do anticorpo VHC mostra que uma pessoa está infectada pelo vírus VHC, mas não define se a infecção é aguda, crônica, ou se já foi curada. Os anticorpos podem não ser detectáveis durante as primeiras semanas de infecção devido ao “período de janela” ou se o paciente estiver imunocomprometido.

Em contraste com a infecção aguda pelo vírus da hepatite A e B, cujo diagnóstico é baseado nos anticorpos contra a imunoglobulina M (IgM), não há nenhum marcador sorológico para a infecção aguda pelo VHC. Os testes de triagem para a infecção crônica pelo VHC são o imunoensaio enzimático (EIA) ou o ensaio quimioluminescente (CIA) para anti-VHC e verificação mediante um teste adicional mais específico, por exemplo, testes de ácido nucleico para ARN do VHC.

O diagnóstico da hepatite C aguda é baseado em:

  • Elevação marcada de alanina aminotransferase (ALT; mais de × 10)
  • Com ou sem icterícia
  • ARN do VHC detectável no soro
  • Seguido de soroconversão anti-VHC semanas mais tarde

Se tanto o anti-VHC como o ARN do VHC são detectados desde o início, o diagnóstico diferencial entre a infecção aguda e crônica pelo VHC com elevação da ALT pode ser difícil de fazer.

 

Tabela 4 Interpretação dos ensaios do VHC

 

A triagem é recomendada para grupos em risco ou faixas etárias específicas— os fatores de risco variam de país para país, tal como o risco de infecção pelo VHC em diferentes grupos. Se a triagem não é praticável segundo esta lista (por exemplo, ¿os pacientes são conscientes de que foram injetados com seringas usadas?), os pacientes devem ser pesquisados com base nos níveis de aminotransferase elevados no momento da apresentação inicial. Os Centros para Controle das Doenças nos Estados Unidos recomendam testar toda a geração pós-guerra (Segunda guerra); na Europa, não é recomendado.

 

Tabela 5 Grupos de risco de infecção pelo VHC

5. Tratamento da infecção pelo VHC

5.1 Objetivos do tratamento

O objetivo do tratamento do VHC é prevenir a progressão e evitar as complicações da doença através da erradicação do vírus com base na resposta virológica sustentada (RVS). Os pacientes que alcançam a RVS têm liberação do vírus, e as possilidades de reativação dele são insignificantes. Melhorias na inflamação por necrose e fibrose do fígado, bem como risco de carcinoma hepatocelular, foram demonstrados nos pacientes que alcançaram RVS.

Os pacientes com infecção aguda pelo VHC resolvida sem tratamento, não necessitam de terapia antiviral. Dependendo das fontes, tudo indica que 15% a 50% dos pacientes se recuperam espontaneamente.

 

Tabela 6 Definição das respostas ao tratamento


Fonte: Adaptado das Diretrizes de APASL (http://link.springer.com/content/pdf/10.1007%2Fs12072-012-9342-y).

 

Fig. 3 Padrão de respostas virais à terapia com peginterferon/ribavirina (PEG- IFN/RBV).


LVR: Resposta virológica tardia; RVR: Resposta virológica rápida; eRVR: Resposta virológica rápida estendida; NR: resposta nula; Breaktrhough: reaparecimento do vírus; Relapse: Recidiva-

 

5.2 Princípios do tratamento

Para os pacientes com hepatite C aguda, é razoável considerar a terapia antiviral (PEG- IFN alfa-2a na dose de 180 µ g/semana ou PEG-IFN alfa-2b na dose de 1.5 µ g/kg/semana, durante 24 semanas) visando evitar a progressão para hepatite C crônica. Altas taxas de RVS (aproximadamente 90%) com PEG-IFN alfa como monoterapia foram informadas, independentemente do genótipo do VHC. Alguns especialistas recomendam seguimento nesses pacientes somente, com quantificação do RNA do VHC a cada 4 semanas e com tratamento nos pacientes ainda positivos 12 semanas após a apresentação inicial.

O tratamento e a cura da hepatite C têm demonstrado prevenir os riscos das complicações a longo prazo e tem sido a forma primária de manejo da infecção crônica pelo VHC. Nem todos os infectados pelo VHC vão desenvolver cirrose e suas complicações, aliás, em muitas situações é recomendado utilizar uma abordagem que envolva monitoramento para detecção do avanço da doença.

Os genótipos de não-1 do VHC são os mais comuns nos países densamente povoados da Ásia do Sul, Extremo Oriente, África, e Oriente Médio. Cabe ainda observar que nos países em desenvolvimento, antes da era do PEG-IFN, 50% dos pacientes com hepatite crônica foram tratados com monoterapia convencional com IFN ou combinado à ribavirina. Em 2002, ficou disponível o PEG-IFN/RBV (padrão de cuidados) mas seu alto custo limita sua disponibilidade para poucas pessoas de alta renda na vasta população de países com recursos limitados. A falta de seguros saúde nesses países com recursos limitados complica ainda mais o problema.

Antes de contar com PEG-IFN/RBV, as diretrizes nos países desenvolvidos recomendavam a combinação IFN/RBV convencional. Posteriormente, foi recomendada a terapia dupla com PEG-IFN/RBV. A taxa de RVS para o genótipo 1 (GT1) com PEG-IFN/RBV foi de 40% [30–32]. O esquema atualmente recomendado é de terapia tripla com PEG-IFN/RBV e um antiviral de ação direta (AAD) (2012). As diretrizes europeias não apoiam o uso generalizado da terapia tripla.

Estudos menos recentes [33–36] relatam 40-50% de resposta à terapia de combinação padrão com IFN/RBV em pacientes com HCC genótipo 1 e uma resposta virológica de até 70-80% em pacientes com HCC genótipos 2/3; na VHC aguda, a taxa é de cerca de 100%.

A informação sobre a taxa de RVS utilizando IFN/RBV é contraditória, inclusive para os genótipos 2a e 3a [30]. O uso de PEG-IFN/RBV resulta mais conveniente, mas não melhora a eficácia do tratamento. Nos ensaios clínicos pivot, os pacientes infectados pelos genótipos 2 e 3 do VHC alcançaram taxas de RVS de 80% com PEG- IFN/RBV. No entanto, em outros estudos regionais foi relatada taxa de RVS de 30– 50% [37].

 

Fig. 4 Abordagem sequencial do tratamento da HCC e taxas de RVS.


Fonte: adaptado da Reunião do Comitê Assessor sobre Medicamentos Antivirais da Administração de Alimentos e Medicamentos, Abril 27–28, 2011, Silver Spring, MD. AAD: antiviral de ação direta

 

A dosagem recomendada para o PEG-IFN-a2a é de 180 µ g uma vez por semana, sendo que para PEG-IFN alfa-2b deve ser usada uma dosagem baseada no peso de 1.5 µ g/kg por semana. A dosagem de ribavirina depende do genótipo do VHC. Os pacientes com genótipo 1 e 4–6 do VHC devem receber uma dose baseada no peso de ribavirina: 15 mg/kg de peso corporal por dia. Os pacientes infectados pelos genótipos 2 e 3 podem ser tratados com uma dose fixa de 800 mg de ribavirina por dia, a menos que haja fatores de base sugerindo uma baixa capacidade de resposta, isto é, índice de massa corporal (IMC) > 25, resistência à insulina, síndrome metabólico, fibrose ou cirrose severa, idade avançada; nesses casos, deve ser administrada uma dose de ribavirina baseada no peso, como nos genótipos 1 e 4.

As opções de tratamento analisadas nesta diretriz dependem dos recursos financeiros e sanitários disponíveis. Elas são baseadas em certa evidência empírica dos especialistas e das sociedades regionais, sem divergir muito das práticas médicas baseadas em evidências. Procura-se que o tratamento contra a hepatite C seja aplicável e viável, atualizando o conhecimento dos médicos em todos os níveis, otimizando assim a vida dos pacientes com hepatite C do mundo. É papel dos governos assegurar o tratamento aos pacientes necessitados, como já acontece com o VIH. Um bom exemplo é o Egito, onde o custo do tratamento é de cerca de $2000. Isto evidentemente melhorou o acesso ao tratamento para mais de 250.000 pacientes nos últimos anos; o custo do tratamento da maioria desses pacientes corre por conta do governo.

Finalmente, as diretrizes não são regras fixas; constituem um processo dinâmico e cambiante, que leva os médicos a tratar os pacientes adequadamente, considerando a personalização para cada tratamento se for necessário. As diretrizes precisam sempre ser melhoradas e atualizadas à medida que vão aparecendo novos estudos e nova evidência.

5.3 Seguimento do tratamento

5.3.1 Preditores de resposta ao tratamento

Os pacientes com genótipo favorável CC da rs12979860 têm quase o dobro de possibilidades de liberar o VHC que os heterozigotos (CT) e os homozigotos TT. Existe variação étnica marcada na prevalência dos genótipos IL28B. Os pacientes caucasianos com genótipo 1 do VHC e CC IL28B têm aproximadamente 80% de possibilidades de apresentar RVS, se comparado com apenas 40% dos que têm genótipos não-CC [38]. O genótipo CC é altamente prevalente entre asiáticos, tem prevalência intermediária em caucasianos e hispânicos, e é relativamente incomum em africanos. Foram informadas associações semelhantes para o polimorfismo de nucleotídeo único (SNP) rs8099917, com alelo favorável designado de T e o alelo desfavorável de G [39].

Preditores de má resposta:

  • Obesidade
  • Síndrome metabólica/resistência à insulina
  • Raça negra
  • Fibrose hepática avançada
  • Coinfecção com VHB ou VIH

Fatores favoráveis:

  • Genótipo IL28B
  • RNA VHC: baixa carga viral (< 400.000 UI /mL)
  • Genótipo VHC: não-1
  • Adesão à dose de tratamento e duração
  • Resposta virológica rápida (RVR)

5.3.2 Avaliações do pré-tratamento

Antes de iniciar a terapia com IFN/RBV, devem ser realizados os testes e avaliações a seguir. Visto que um tratamento individualizado ajuda a economizar dinheiro sem perder eficácia, é indispensável fazer um teste quantitativo do ARN do VHC e do genótipo do VHC antes de começar o tratamento.

 

Tabela 7 Avaliações do tratamento antes de IFN/RBV


ALT, alanina aminotransferase; ANA, anticorpo antinuclerar; APRI, quociente aspartato aminotransferase/ plaquetas; AST, aspartato aminotransferase; CLD, doença hepática crônica; AAD, antiviral de ação directa; HBsAg, antígeno de superfície da hepatite B; VIH, vírus de imunodeficiência humana; TSH, hormônio estimulador da tireoide.

 

Aconselhamento—antes de iniciar o tratamento antiviral, os pacientes devem ser informados sobre:

  • A história natural da doença e as complicações hepáticas
  • Chances e sucesso de todas as categorias de tratamento disponíveis
  • Efeitos colaterais dos tratamentos disponíveis
  • Custo dos tratamentos disponíveis (especialmente PEG-IFN) e custo do tratamento suportivo se necessário

5.3.3 Monitoramento durante o tratamento

Durante o tratamento, devem ser realizados os seguintes testes:

  • Avaliação dos efeitos colaterais e exame clínico em cada visita
  • Hemograma completo nas semanas 2, 4 e 6 e, depois, a cada 4 semanas até o final do tratamento

Dali em diante:

  • Seguimento do ARN do VHC sérico (qualitativo) para quantificação da terapia guiada pela resposta nas semanas 4 e 12
  • Teste do hormônio estimulador da tireoide (TSH) após 3 e 6 meses (quando indicado clínicamente)
  • Avaliação psiquiátrica (quando indicada, por exemplo, depressão)
  • Raios-X de tórax, exame oftalmológico e audiograma (quando indicado) Avaliação cardiológica (quando indicada)
  • Aconselhamento reiterado sobre necessidade de método anticoncepcional durante o tratamento, e até 6 meses (no mínimo) depois de finalizado o tratamento

5.3.4 Monitoramento pós-tratamento

  • Se ocorrer resposta ao final do tratamento (RFT), o paciente deve ser seguido e o ARN do VHC sérico (qualitativo) deve ser reavaliado 24 semanas depois de finalizado o tratamento para documentar a RVS (para mais detalhes, ver algoritmo na seção seguinte).
  • As pacientes que receberam ribavirina devem continuar com controle da natalidade efetivo durante seis meses (no mínimo).

5.4 Tratamento com PEG-IFN/RBV—terapia padrão de cuidados

5.4.1 Quem deveria ser tratado?

  • Todos os pacientes com hepatite C crônica com doença hepática compensada, sem contraindicações para PEG-IFN/RBV, devem ser considerados para o tratamento
  • O tratamento com PEG-IFN/RBV é fortemente recomendado para os pacientes com fibrose moderada/avançada (graus F2–F4).
  • Os pacientes com doença leve (F0–F1) devem ser considerados para tratamento de maneira individual levando em conta sua idade, gênero, síndrome metabólica, sintomas, e motivação.
  • A crioglobulinemia sintomática é uma indicação para terapia antiviral independentemente da fase da doença hepática.

 

Tabela 8 Caraterísticas dos pacientes que devem receber terapia individualizada

 

5.4.2 Beneficio reduzido ou chance de resposta ao tratamento

  • Homens obesos mórbidos, IMC > 35
  • Genótipos 1/4/6 e não tipáveis
  • Infecção ativa dupla com VHC/HBV
  • Pacientes recidivantes ou não respondedores ao tratamento convencional com IFN e ribavirina

5.4.3 Contraindicações para IFN e RBV

  • Convulsões não controladas
  • Descompensação do fígado
  • Gravidez (RBV) ou casais não dispostos a utilizar contracepção adequada.
  • Coronariopatia severa e insuficiência cardíaca congestiva descompensada

5.4.4 Precaução especial para terapia com IFN

É preciso adotar cuidados especiais para administrar IFN nas circunstâncias seguintes (adaptado das diretrizes da APASL/AASLD/EASL):

  • Psicose presente/passada ou depressão aguda
  • Diabetes mellitus não controlada
  • Hipertensão não controlada
  • Retinopatia
  • Psoriase
  • Tireoidite autoimune ou outros transtornos autoimunes ativos, inclusive hepatite autoimune
  • Doença cardíaca sintomática ou doença vascular severa
  • Doença vascular isquêmica/anemia
  • Insuficiência renal (RBV)
  • Neutropenia (contagem de neutrófilos < 1500 células/µ L)
  • Trombocitopenia (contagem de plaquetas < 85.000/ µ L)
  • Transplante de órgãos (por exemplo, transplante de rim e coração)
  • Antecedentes de doença autoimune
  • Presença de auto-anticorpos tireoidianos
  • Comorbidade e risco de progressão em pacientes idosos
  • Antecedentes de depressão
  • Idade < 5 anos

5.4.5 Efeitos colaterais

Quase todos os pacientes tratados com PEG-IFN e RBV apresentam um ou mais efeitos colaterais durante o tratamento, incluindo: sintomas pseudogripais, efeitos colaterais neuropsiquiátricos, anomalias hematológicas (anemia, neutropenia, e trombocitopenia) e indução de transtornos autoimunes. O uso de ribavirina é associado com anemia hemolítica. Por ser depurada pelos rins, a ribavirina deve ser administrada com muita cautela nos pacientes com insuficiência renal. Ela é também teratogênica, portanto, a gravidez nas pacientes femininas e mulheres de pacientes masculinos, deve ser evitada durante o tratamento, e até 6 meses após sua finalização.

5.5 Terapia com inibidor da protease (IP) TVR/BoC

5.5.1 Tratamento da HCC GT1:

  • O padrão de cuidados para pacientes com PEG-IFN e RBV tem sido utilizado desde junho 2002.
  • A taxa de resposta virológica sustentada (RVS) após 48 semanas foi de 80% nos genótipos 2 e 3 e 40–50% no genótipo 1.
  • O desenvolvimento do AAD e a disponibilidade de telaprevir e boceprevir mudaram o tratamento ideal da infecção pelo genótipo 1 do VHC.
  • AASLD [41] e APASL [42] atualizaram suas diretrizes de tratamento, introduzindo AAD para a infecção pelo genótipo 1 do VHC.
  • Boceprevir (BOC) e telaprevir (TVR) são potentes inibidores do genótipo 1 do VHC e estão disponíveis comercialmente para o tratamento da hepatite C crônica.
  • Até hoje, a utilização de inibidores da protease está restrita ao genótipo 1. Não é recomendado o tratamento com inibidores da protease para grande quantidade de pacientes com os genótipos 2–6.
  • AADs de segunda geração estão sendo desenvolvidas para obter combinação de agentes antivirais com potência aditiva que apresentem ausência de resistência cruzada e bom perfil de segurança [43].
  • Novas classes de medicamentos para o tratamento da hepatite C crônica estão sendo pesquisadas. Estas drogas agem em diferentes fases do ciclo de vida do VHC, inclusive VHC NS3–4A protease, NS5B polimerase, e os inibidores da NS5A. Até hoje, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) tem aprovado somente os inibidores de serino-protease da proteína não estrutural 3/4A (NS3/4A).

5.5.2 Indicações para tratamento de pacientes com genótipo 1 do VHC não tratados (naïves)

  • Para pacientes VHC genótipo 1 com HCC, virgens de tratamento, não-CC + IL28B e fibrose F3–F4 se recomenda a tripla terapia (TVR/BoC + PEG- IFN/RBV) durante 48 semanas. Os pacientes que não tenham recebido tratamento e que apresentem CC genótipo IL28B e F1–F2 recebem o tratamento padrão (PEG-IFN/RBV) durante 48 semanas, com quase a mesma taxa de RVS.
  • É recomendado precaução especial no tratamento dos pacientes com cirrose clínica aparente (embora eles tenham maior necessidade de tratamento). O tratamento é mal tolerado e associado a uma taxa de mortalidade de 2% [44].

5.5.3 AAD para pacientes com falha prévia do tratamento

  • Nos pacientes com falha ao PEG-IFN/RBV, recidivantes, respondedores parcialmente, ou não respondedores, se recomenda a tripla terapia.
  • É necessário cuidado especial nos pacientes com cirrose clinicamente aparente.

5.5.4 Regras de parada nos pacientes sem tratamento prévio (naïves) e falha do tratamento

É necessário respeitar as regras sobre quando interromper o tratamento, e assegurar a adesão para evitar resistência viral. A tabela 9 enumera as regras de futilidade [45] para a tripla terapia baseada no TVR, ou baseada no BOC em pacientes virgens de tratamento ou em situação de falha a tratamento anterior.

 

Tabela 9 Regras de futilidade em pacientes sem tratamento ou em situação de falha no tratamento anterior


* Em pacientes recebendo terapia tripla baseada em boceprevir ou telaprevir, repetir ensaios quantitativos do ARN do VHC com limite inferior de quantificação próximo de 25 UI/ml e um limite inferior de detecção de aproximadamente 9.3–15.0 UI/ml.

 

5.5.5 Efeitos colaterais e interações medicamentosas

  • Existem numerosos medicamentos com possíveis interações medicamentosas com BOC ou TVR, incluindo antiarrítmicos, anticoagulantes, anticonvulsivantes, anti-histamínicos, antibacterianos, antirretrovirais, estatinas, produtos herbários, imunossupressores, inibidores da fosfodiesterase e alguns sedativos e hipnóticos.
  • A interação com os anticoncepcionais orais pode reduzir sua eficácia; durante o tratamento com esses agentes deve ser utilizado um segundo método contraceptivo.
  • Foram relatadas reações cutâneas fatais e graves não fatais, incluindo síndrome de Stevens–Johnson, reação aos medicamentos com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS), e necrólise epidérmica tóxica (TEN), em pacientes recebendo tratamento combinado com telaprevir.
  • Com PEG-IFN e ribavirina foi observada anemia. A adição do telaprevir ao PEG-IFN e ribavirina está associada à redução adicional das concentrações de hemoglobina.
  • Os pacientes devem ser informados que o tratamento combinado com TVR pode provocar una erupção cutânea grave, que pode ser acompanhada de febre e lesões cutâneas, pode requerer tratamento urgente hospitalar e pode inclusive levar à morte. Os pacientes devem notificar imediatamente seu prestador de serviços de saúde se observarem qualquer alteração cutânea ou prurido. Os pacientes não devem interromper TVR por uma erupção, a menos que o prestador de serviços de saúde o indique.

Fonte: FDA Highlights of prescribing information for telaprevir (Incivek) (http://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2012/201917s003lbl.pdf).

5.5.6 Regimes de tratamento completamente orais sem Interferon para HCC em 2014 e posteriormente

  • A terapia baseada em IFN tem sido o padrão de cuidados da HCC durante os últimos 20 anos. A combinação de PEG-IFN e RBV deu RVS em 50% dos casos de pacientes com hepatite C crônica com GT1 e até 70% a 80% em GT31. No entanto, a terapia baseada em IFN leva um ano inteiro, é injetável e tem efeitos colaterais severos, e má tolerabilidade. Em 2011, apareceram no mercado os inibidores de protease (IP) de primeira geração, TVR e BOC, para hepatite C como terapia tripla (IP + peg-IFN + RBV). Contudo, esses medicamentos estão limitados pela aparição de resistências, altas taxas de efeitos colaterais, como eritema e citopenia, além de menor efetividade nos pacientes com cirrose e respondedores nulos à terapia de padrão de cuidados. 2,3
  • A primeira terapia bem sucedida com AAD sem IFN informada foi com asunaprevir e daclatasvir, com taxa de RVS de 90%. Outro estudo (ELECTRON) que utiliza Sofosbuvir em combinação com RBV para o tratamento de pacientes com HCC com GT2 ou GT3 atingiu uma taxa de RVS de 100%, independentemente de qualquer tratamento anterior. Os resultados preliminares do AAD informados por diferentes autores mostraram uma taxa de RVS de 88% a 100% para GT2 e GT3 e 83% a 100% para GT1. 4,5
  • À luz da informação decorrente dos diferentes estudos e da aprovação de Sofosbuvir pela FDA em dezembro de 2013, em pacientes com HCC nos países com recursos é indicado usar a combinação de AAD oral sem IFN, por boa eficácia, melhor tolerabilidade e menor resistência. Nas regiões com recursos limitados, no caso de pacientes com GT2 e GT3 e IL28b-cc positivo, seguir com PEG-IFN e RBV como padrão ouro. Os custos e a disponibilidade restringem o uso do AAD nos países com recursos limitados. No entanto, a terapia oral sem IFN deve ser personalizada e o cuidado deve ser ajustado de acordo com os recursos disponíveis.

RESUMO

Vantagens do AAD:

  1. Toda a terapia é oral, sem injetáveis
  2. Pangenotípico. Estudos recentes de fase 2 confirmam a eficácia do AAD em todos os genótipos (1 a 6).
  3. Sofosbuvir é eficaz combinado com Peg + RBV e monoterapia, também combinado com outros AAD.
  4. Ausência de recaída viral durante o tratamento e alta barreira de resistência.
  5. Efetivo em IL28B CT, variantes TT
  6. Dosagem simples, independente da ingestão de alimentos, efeitos colaterais mínimos, e tratamento mais curto
  7. Eficaz em pacientes com ou sem tratamento prévio

Desvantagens:

  1. Os custos são particularmente altos para as regiões com recursos limitados e os estudos publicados são menores, com pouca experiência nos diferentes grupos de pacientes.

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  6. Edward J. Gane, Catherine A, Stedman, et al. Nucleotide Polymerase Inhibitor Sofosbuvir plus Ribavirin for Hepatitis C, N Eng J Med 2013; 368:34-44 Jan 3 2013.

6. Categorias e cascatas de tratamento

Nesta seção, os pacientes com hepatite C crônica elegíveis para o tratamento, segundo os critérios diagnósticos, são estratificados em seis categorias com base nos critérios aceitos internacionalmente. Levam em conta o genótipo, se eles receberam ou não o tratamento, falha do tratamento, resposta ao tratamento e regras de parada. Esses parâmetros são baseados em evidência e são parte integrante da AASLD, EASL, APASL, e outras diretrizes para tratamento das sociedades regionais.

As categorias incluem recomendações para os países de altos recursos, bem como alternativas de “recursos limitados” para os clínicos que contam com poucos recursos em termos de custos, disponibilidade local dos medicamentos, instalações para diagnóstico, perícia e infraestrutura sanitária.

Todos os pacientes deveriam ser tratados com PEG-IFN/RBV, conforme a terapia de padrão de cuidados. A decisão de tratamento com AAD, deve levar em conta os fatores acima mencionados que afetam os países com recursos limitados. As alternativas são IFN/RBV padrão e, em certos casos, a política de “esperar e observar” para a doença mínima e leve — segundo a histologia (biópsia hepática) ou marcadores não invasivos (FibroScan, FibroTest, FibroSURE, etc.), dependendo do que houver disponível.

Existem duas categorias especiais (seções 6.4. e 6.7) aplicadas em países de recursos limitados nos quais a implementação do padrão ouro de cuidados é economicamente não-factível. Porém, uma decisão de “não tratar” poderia causar dano ao paciente em termos de progressão da doença, além de complicações, piorando muito a morbidade e mortalidade. Também pode aumentar a carga econômica dos recursos em saúde desses países, que já são escassos ou inclusive esgotados.

6.1 Genótipo 1 da HCC— regiões de altos recursos e de recursos limitados

Passos sequenciais da terapia guiada pela resposta para o vírus da hepatite C crônica genótipo 1, com terapia tripla.


IMC, índice de massa corporal; HCC, hepatite crônica C; AAD, agente antiviral de ação direta; VHC, vírus da hepatite C; BCV, baixa carga viral; PEG-IFN, interferon polietilenoglicol; RBV, ribavirina; RVR, resposta virológica rápida.

 

6.2 Genótipos HCC 4-6 ou “não tipáveis”

Passos sequenciais para tratar os pacientes com infecção crônica do VHC, genótipos 4–6, ou “não classificáveis”.


Nota: Os pacientes com RVP parcial (ARN do VHC que diminui 2 logs na semana 12) e com resposta virológica retardada (ARN do VHC negativo na semana 24) devem ser tratados durante 72 semanas.
HCC, hepatite crônica C; RVP, resposta virológica precoce; VHC, vírus da hepatite C; BCV, baixa carga viral; PEG-IFN, polietilenoglicol; RVR, resposta virológica rápida

 

6.3 HCC de genótipos 2/3 virgens de tratamento

Passos sequenciais para tratar pacientes com infecção crônica com VHC, genótipos 2 ou 3, com PEG-IFN e RBV.


Nota: Os pacientes com RVP (ARN-VHC que diminuiu 2 logs após 12 semanas) e RVRet (ARN do VHC negativo na semana 24) devem ser tratados durante 72 semanas.
ALT, alanina aminotransferase; ELISA, imunoensaio ligado à enzima; RVP, resposta virológica precoce; VHC, vírus da hepatite C; PEG-IFN, polietilenoglicol interferon; RBV, ribavirina; RVR, resposta virológica rápida;

 

6.4 Genótipos 2/3 da HCC virgem de tratamento — regiões com recursos limitados

Passos sequenciais da terapia guiada pela resposta da infecção crônica pelo VHC genótipos 2 ou 3, com IFN convencional + RBV [4,33–37,42,46,47].


HCC, hepatite C crônica; RVP, resposta virológica precoce; VHC, vírus da hepatite C; IFN, interferon; MUI, Milhão de unidades internacionais; PCR, Reação em cadeia da polimerase; PEG-IFN, polietilenoglicol interferon; RBV, ribavirina; RVS, resposta virológica sustentada; 3/sem: três vezes por semana.

 

6.5 Relação de sujeitos com HCC não respondedores/ recidivantes após o IFN/RBV padrão

Passos sequenciais para tratar pacientes com infecção crônica do VHC, genótipos 2 ou 3. Indivíduos não respondedores ou recidivantes após tratamento padrão com IFN.


HCC, hepatite C crônica; RVP, resposta virológica precoce; IFN, interferon; PEG- IFN, polietilenoglicol interferon; RBV, ribavirina; RVR, resposta virológica rápida.

 

6.6 não respondedores / recidivantes com HCC após terapia com PEG- IFN/RBV


AAD, (agente) antiviral de ação direta; HCC, carcinoma hepatocelular; PEG-IFN, polietilenoglicol interferon; RBV, ribavirina.

 

6.7 Doença HCC mínima/leve F0/ F1, e genótipo—regiões com recursos limitados

Passos sequenciais na avaliação do tratamento em pacientes com hepatite C crônica com doença leve (F0 e F1), segundo a histopatologia hepática (biópsia hepática).

 

6.8 Tratamento da HCC de 2014 em diante

O algoritmo de tratamento para CAHC de 2014 em diante para todos os genótipos de hepatite C com um enfoque “Tudo oral” em países com abundância de recursos e tratamento Padrão de Cuidados (SOC) (Peg-IFN + RBV) em regiões sensíveis à disponibilidade de recursos.

6.9 Resumo — recomendações e níveis de evidência

Recomendações para o tratamento da infecção pelo VHC— para os diferentes níveis de recursos e evidências:

  1. Pacientes com hepatite C crônica (HCC) genótipo 1
    1. Tratamento com PEG-IFN/RBV de 48 semanas e padrão de cuidados— sensível aos recursos (nível B)
    2. Tratar com AAD (12 semanas) PEG-IFN/RBV ± TVR/BoC (48 semanas) — rico em recursos (nível A)
    3. Pacientes não respondedores/pacientes recidivantes após PEG-IFN: tratar com AAD ± DDA ± RBV (nível A)
  2. Pacientes com infecção por HCC genótipos 2 ou 3 que nunca receberam tratamento
    1. Tratamento com PEG-IFN/RBV durante 24 semanas ou 48 semanas, dependendo da RVR—rico em recursos nível A)
    2. Tratar com IFN/RBV convencional durante 24 semanas dependendo da RVP—sensível aos recursos (nível C)
  3. Genótipos 4, 5, 6 da HCC e não classificável
    1. Tratar com PEG-IFN/RBV durante 48 semanas (nível A)
    2. O genótipo 4 pode ser tratado durante 24 semanas, dependendo da RVR em pacientes individuais (nível B)
  4. Genótipos 2 ou 3 da HCC não respondedores ou recidivantes após PEG-IFN/RBV
    1. Podem ser tratados com PEG-IFN em tratamento prolongado durante 72 semanas—sensível aos recursos (nível C)
    2. Em ensaio aleatorizado fase 3 em pacientes com GT2 e GT3 HCC um IFN mais novo — por exemplo, IFN de consenso ou albininterferon (Albuferon) (ainda não disponível comercialmente) resultou não ser inferior ao interferon- alfa peguilado.1 O custo do tratamento está ainda a ser determinado, mas provavelmente seja mais elevado que o custo atual do tratamento com PEG- IFN/RBV—rico em recursos (nível C)
    3. Tratamento Tudo Oral sem interferon com AAD (AAD ± AAD ± RBV) é o tratamento futuro para todos os genótipos de infecção crônica pelo VHC (Nível de Evidência: B).
    4. A vigilância “Esperar e observar” para cirrose e HCC com ecografia hepática, tomografia computadorizada (CT), alfa-fetoproteína (AFP) e plaquetas segundo protocolo —sensível aos recursos (nível C)

Referência:

  1. Nelson DR, Benhamou Y, Chuang WL, Lawitz EJ, et al (ACHIEVE-2/3 Study Team). Albinterferon Alfa-2b was not inferior to pegylated interferon-a in a randomized trial of patients with chronic hepatitis C virus genotype 2 or 3. Gastroenterology. 2010; 139; 1267-76.

Tratamento da infecção pelo VHC em grupos especiais:

  1. Infecção aguda pelo VHC
    1. Começar o tratamento no momento do diagnóstico com monoterapia com PEG-IFN ou terapia combinada durante 12 semanas para os genótipos 2/3 e 24 semanas para o genótipo 1—rico em recursos (nível A)
    2. Começar o tratamento no momento do diagnóstico com IFN padrão a alta dose durante 24 semanas—sensível aos recursos. O tratamento para a hepatite C aguda pode demorar 8–16 semanas esperando a resolução espontânea da infecção pelo VHC, especialmente nos pacientes sintomáticos—sensível aos recursos (nível B)
  2. Tratamento da infecção pelo VHC em crianças
    A taxa de transmissão perinatal das infecções pelo VHC atinge cerca de 3–7%. O diagnóstico da infecção pelo VHC adquirida na época perinatal é feito mediante teste positivo de anticorpos anti-VHC depois dos 18 meses de idade. O ARN do VHC se faz positivo na idade de 1 ou 2 meses o que deveria ser utilizado como critério para um diagnóstico precoce. A idade habitual do tratamento é entre 2–17 anos.
    1. Tratamento com PEG-IFN/RBV durante 24–48 semanas, dependendo do genótipo.
    2. A dose de PEG-IFN deveria ser modificada segundo a área de superfície corporal e a RBV em dose de 15 mg/kg/dia

Notas:

  • Outros grupos especiais de pacientes com HCC—por exemplo, pacientes com insuficiência renal, com infecção concomitante com VHC/VIH e HBV, pacientes com transplantes de órgãos, e outros, são tratados em unidades de fígado especializadas; recomendações práticas podem ser encontradas em outras diretrizes internacionais (ver seção 1).
  • Ver apêndice seguinte (seção 7.2) para o sistema de classificação da evidência utilizado—do sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).

7.  Apêndice

7.1 Notas sobre o tratamento aplicado a determinadas regiões específicas

7.1.1 Malásia (K.L. Goh)

  • Embora o genótipo mais prevalente seja o tipo 1, a maioria das cepas na Malásia pertencem ao tipo 3 [48]. Isso tem importantes implicações na planificação e orçamento do tratamento pois, em geral, a sua duração seria mais curta.
  • O tratamento da hepatite C tem sido largamente limitado a especialistas. Porém, foram capacitados médicos de atenção primária para tratar os pacientes com hepatite C, através de uma “preceptoria” em colaboração com hepatologistas e gastroenterologistas familiarizados com o tratamento da hepatite C.
  • Em geral, os pacientes asiáticos respondem melhor à terapia combinada de IFN e ribavirina [49].
  • Em alguns países asiáticos como a Malásia predomina o genótipo 3. No entanto, a razão de ter a melhor taxa de respostas, independentemente do genótipo, pode ser a maior prevalência de polimorfismos ILB28 favoráveis entre os asiáticos [50].

7.1.2 Paquistão (M. Umar)

  • A diretriz de práticas nacionais publicada pela Sociedade Paquistanesa de Gastroenterologia (PSG) e a Sociedade Paquistanesa de Hepatologia (PSH) recomenda a triagem em pacientes de alto risco utilizando ELISA.
  • A informação baseada em recursos tem aprovado os testes PCR qualitativos seguidos do tratamento convencional com IFN + ribavirina durante 6 meses para os genótipos 3a e 2a.
  • Os pacientes não respondedores ou recidivantes após IFN + ribavirina convencional, devem ser tratados com PEG-IFN + ribavirina durante 1 ano.
  • Os pacientes não respondedores ou recidivantes após PEG-IFN + ribavirina precisam ser controlados e vigiados para detectar HCC e doença hepática terminal.
  • Em 2005, o governo paquistanês iniciou um programa nacional de prevenção e controle da hepatite. Os pontos chave incluíam:
    • Conscientização pública e do pessoal da saúde quanto à prevenção, reduzindo os fatores de risco de transmissão e diminuindo a carga da doença.
    • Fornecer diagnóstico e tratamento padronizado grátis ou com custos subsidiados para aqueles pacientes que não podem pagar. (Isto também inclui controle de qualidade e coleta de dados para estratégias futuras).
  • Outro projeto envolve uma parceria público/privada e de indução empresarial com a indústria farmacêutica para o estabelecimento de industrias locais destinadas à elaboração do IFN/RBV. Isso lançou as bases para o fornecimento de tratamento da hepatite C a um custo acessível, em lugar de importar esses medicamentos a custos elevados.
  • Finalmente, o governo atualmente está sendo forçado, por representantes públicos e sociedades profissionais, a aprovar a legislação dos programas de triagem eficazes para a detecção do VHC/HBV em indivíduos de alto risco e em produtos hematológicos. Junto, também, com a prevenção de outros fatores de risco modificáveis, práticas de controle de qualidade estritas e aplicação de diretrizes de controle das infecções pelos próprios indivíduos e pelas instituições de serviços de saúde públicas e privadas.

7.1.3 Argentina (F. Villamil)

  • O cenário na Argentina é bastante parecido com o da América do Norte e da Europa Ocidental. Isto significa, por exemplo, que a terapia tripla para pessoas sem seguro estará disponível em breve (2014) — afinal disponível.

7.1.4 Chile (R. Zapata)

  • No Chile, um país ainda em desenvolvimento, com certeza, daqui a dois anos serão aprovadOs AADs até mesmo no sistema de saúde pública, (como na Argentina, como referido acima).
  • O sistema público nacional atual assegura tratamento duplo para quem precisar tratamento. Nos países subdesenvolvidos, portanto, precisamos estabelecer prioridades para o tratamento e ver os pacientes que podem esperar.

7.2 Qualificação do nível de evidência utilizada

Tabela 10 Sistema utilizado para qualificação de evidência

7.  Referências

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